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Foto: Divulgação/ Festival de Sabores Cabo Frio
Um prato de “pedras” promete ser a grande atração do Festival Gastronômico “Sabores de Cabo Frio”, que acontece de 4 de setembro a 4 de outubro na cidade. O evento, o único previsto para este ano no calendário turístico, devido as medidas de restrição contra a propagação do novo coronavírus, chega a sexta edição com uma missão: reduzir em, pelo menos, 60% os prejuízos que o setor acumula, desde março, quando a pandemia obrigou o município a suspender as atividades turísticas levando hotéis, pousadas, bares e restaurantes a uma crise sem precedentes.
O prato, assinado pelo chef Rodrigo Leitão da Cunha, intitulado “Pedras Brasileiras” poderia ser a síntese de um mundo cada vez mais sombrio em tempos de pandemia, ódio, preconceito e racismo, mas, na verdade, é um convite para celebrar a vida e o amor e também um grito de preservação. O chef do Palermo, restaurante especializado em massas, enxerga na cultura, na criatividade, na diversidade e na arte o caminho das pedras, que pode nos salvar, da mesma forma que a gastronomia o salvou.

Foto: Vanessa Barone
Professor de inglês, 45 anos, o carioca de Bonsucesso, desembarcou em Cabo Frio aos 12 e adotou a cidade como Terra Natal. Um infarto aos 39 anos e a experiência de quase-morte, aliada a uma profunda depressão, levaram Rodrigo a redescobrir a vida através da gastronomia e de suas cores, sabores, aromas e texturas.
—— A gastronomia me salvou e me fez um ser humano mais feliz, revela o chef.
O prato do festival foi inspirado nos beachrocks, as famosas pedras do naturalista inglês Charles Darwin — autor da revolucionária teoria sobre a evolução das espécies — que afloram ao longo da praia de Jaconé, na região entre Maricá e Saquarema, com o refluxo das marés. As pedras podem ser melhor observadas nos períodos de maré baixa e, de acordo com ambientalistas, são testemunhos rochosos reminiscentes que guardam o registro da variação das marés no decorrer dos Séculos e a memória pré-histórica da ocupação humana na região. Mas apesar da importância arqueológica, cultural, pré-histórica, paisagística e ecológica os beachrocks podem desaparecer, soterrados pela construção do Terminal Portuário de Ponta Negra, em Maricá, batizado de Porto de Jaconé. O projeto, anunciado em 2012, está embargado pela Justiça por conta de uma Ação Civil Pública impetrada pelo Ministério Público Federal (MPF).
As “pedras de Darwin” ganharam sabores no prato do chef Rodrigo Leitão da Cunha, uma celebração a diversidade brasileira e aos Estados do Rio, Bahia, Minas e Rio Grande do Sul que estão memória afetiva do chef. Ele conta que foi em Minas Gerais, onde conheceu a mulher, Lia, com quem divide a vida e a administração do pastifício, localizado no bairro do Braga, próximo ao principal cartão-postal da cidade, a Praia do Forte.
O chef cabofriense não revela o maior segredo do prato, ou seja, de que são feitas as pedras comestíveis, mas conta que se inspirou num dos mais influentes chefs da atualidade, o basco Andoni Luiz Aduriz, considerado o rebelde dos fogões, para criar a receita. Rodrigo Leitão diz que o segredo é simples e dá uma dica: o Palermo é uma casa de massas, mas, ressalta que o público precisa experimentar para entender o processo de criação.
O Festival Sabores de Cabo Frio acontece em 49 estabelecimentos gastronômicos. O público poderá saborear entradas e petiscos por R$ 30. O prato principal vai custar R$ 45 e a sobremesa R$15. Os hotéis e pousadas da cidade estão funcionando com capacidade reduzida a 40% da lotação. Ônibus de excursão, micro-ônibus e vans de turismo estão com entradas proibidas por conta das medidas de restrição a propagação do novo coronavírus. As praias também estão fechadas.
Texto e Reportagem: Cleber Lopes