
Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Foto: Reprodução
A demolição do Galpão de Sal da Passagem, uniu a oposição nas críticas ao governo do prefeito José Bonifácio e acabou colocando do mesmo lado, o presidente do PSOL de Cabo Frio, Lucas Muller, e o deputado Sérgio Luiz Costa Azevedo, o Doutor Serginho, secretário de Ciência e Tecnologia do Governador Claudio Castro e um dos mais fiéis defensores do presidente Jair Bolsonaro.
Lucas e Serginho divulgaram nota, ontem, criticando duramente o governo e a demolição do Galpão, considerado histórico, no bairro da Passagem. O deputado licenciado lembrou que uma lei dele, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado, tombou o imóvel, e classificou a demolição de “inaceitável”.
“O Galpão do Sal em Cabo Frio tem uma história que se confunde com a própria memória da cidade e do nosso país. Como deputado aprovei uma lei de minha autoria tombando o galpão, no intuito de preservar um pouco do que resta desse importante patrimônio histórico e cultural do município.
Entre brigas ante preservação do ‘patrimônio x o progresso imobiliário’, o que restava da estrutura do galpão acabou. A legislação da cidade de Cabo Frio exige para essa hipótese a autorização do Instituto Municipal do Patrimônio Cultural e a deliberação do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, órgãos essenciais para defender nossa história aos poucos renegada.
Em ato que beira crime, sem ouvir os órgãos legítimos, o prefeito da cidade, José Bonifácio, resolveu em uma só canetada acabar de vez com a história do Galpão do Sal, em total desrespeito à lei. Prefeito algum está acima da lei. Aqui fica o registro de uma omissão e inércia desrespeita todos os cabofrienses”, escreveu Serginho numa rede social.
O presidente do PSOL, também usou uma rede social para protestar. Lucas Muller disse que os prefeitos cabofrienses tem demonstrado que não se importam com o patrimônio, muito menos com a história da cidade, favorecendo, apenas, o dinheiro e o interesse privado.
“ Temos sucessivos governos municipais de negócio, egoístas, que favorecem apenas os seus. Não pensam na população, não tem projeto de cidade, não se importam com o patrimônio, e muito menos com a história. Ao chão não foi apenas os galpões de sal (o último resquício material da indústria salineira), foi a história dos pescadores, memórias de vidas, suor, trabalho soterrados; algo que poderia ser grande, um Museu de Sal, fomentação de emprego e renda atrelada a um turismo cultural de qualidade. E fora esse silêncio desolador da mídia, dos burocratas do governo (os que tem preço), de muita gente que não se importa, dos que tem medo, dos covardes. Perdemos mais uma batalha, dentre tantas. É mais um dia de luto. Temos uma cidade que mata sua memória por dinheiro.” escreveu Lucas.
A prefeitura de Cabo Frio, em nota, disse que não autorizou a demolição do Galpão de Sal, na Passagem. A licença assinada pela secretária de Planejamento Dhanyelle Garcia Gomes, se limitava a retirada dos escombros da queda de parte do imóvel em fevereiro do ano passado.
De acordo com a nota, a solicitação de demolição, feita pelo proprietário do imóvel, não foi decidida a tempo da tomada de medidas pelo Conselho de Patrimônio.
O governo lembra, ainda, que o IPHAN autorizou a demolição em 2019. A área, com vista para a Ilha do Japonês, é particular e o proprietário tenta demolir o prédio desde 2017. Ativistas queriam a desapropriação para instalação do Museu do Sal na área.