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Foto: Divulgação
A frota de ônibus em horários de menor movimento e nos finais de semana pode ser reduzida para garantir a manutenção do serviço diante do agravamento da crise no setor com o aumento do óleo diesel em 8,9% esta semana.
O alerta é do Sindicato das Empresas de Transporte da Costa do Sol e Região Serrana (Setransol), que representa nove empresas que atendem cerca de dezesseis municípios no interior do Estado do Rio.
A redução da frota durante a manhã, tarde e noite é uma tentativa de impedir o colapso do sistema a curto prazo. Em nota, o sindicato diz que a inércia dos governos municipais, estadual e federal provocam o acúmulo de prejuízos e inviabilizando as empresas de ônibus.
NA GARAGEM – As operadoras de transporte não terão outra opção a não ser manter parte da frota parada nas garagens, provocando impacto direto nos deslocamentos diários de mais de três milhões de passageiros. Desta forma, haverá mudanças necessárias nos horários de menor movimento pela manhã, tarde, noite e durante os fins de semana. A decisão, embora seja excepcional, afastaria o risco de pane seca na frota em operação e a interrupção do serviço durante as viagens, o que prejudicaria ainda mais os passageiros, que já vem sendo impactado nos últimos anos pela crise que atinge o transporte por ônibus.
Desde o início do ano, a alta acumulada nas refinarias chega a 47%, de acordo com a Petrobras. O último reajuste, de 24,9%, havia sido anunciado em 11 de março. Com a crescente oscilação do preço do combustível, o óleo diesel é o principal item no custo de operação das empresas de ônibus, representando agora 32% do total. O novo aumento é um duro golpe a um sistema de transporte já combalido, que já chegou ao seu limite com o esgotamento financeiro das empresas. Pressionadas, as operadoras terão ainda mais dificuldade para a compra de combustível e para manter a frota em circulação, o que reduzirá a oferta de ônibus e levará à degradação do serviço prestado à população. Em Magé, a empresa operadora corre o risco de paralisar as atividades e já alertou a Prefeitura.
É importante ressaltar que os impactos causados pelo reajuste do diesel ao longo dos últimos dois anos não foram compensados, até agora, por aumentos de tarifa ou subsídios por parte de prefeituras, ou do governo do Estado. Assim, aumenta o risco considerável de o passageiro não poder contar com o sistema de ônibus regular para a maior parte de seus deslocamentos, abrindo espaço para o transporte clandestino e sem regulamentação, intensificando a desordem e a insegurança.
PREJUÍZOS ULTRAPASSAM r$ 35 BILHÕES — As empresas de transporte por ônibus urbano, presentes em 2.901 municípios brasileiros, tiveram uma perda acumulada de R$ 25,7 bilhões, entre março de 2020 e fevereiro de 2022, devido à Covid-19. O impacto financeiro médio foi de R$ 1,12 bilhão por mês no período da pandemia, causado pela acelerada queda do número de passageiros e pela obrigatoriedade de manutenção, por parte das empresas, de uma oferta do serviço superior à demanda para garantir o distanciamento social no transporte público. O prejuízo corresponde a 33,8% do faturamento mensal do setor, registrado antes da pandemia, segundo o relatório “Transporte Público por Ônibus – 2 anos de Impactos da Pandemia de Covid-19”, elaborado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
O levantamento da NTU revela também que esse impacto financeiro trouxe consequências graves para as empresas operadoras, clientes do transporte coletivo e para a economia do país. Nesses dois anos de pandemia, foram registrados 49 casos de interrupção dos serviços, por parte de 44 empresas e 5 consórcios que suspenderam suas atividades ou deixaram de operar, além de 16 casos de pedido de recuperação judicial, envolvendo 13 empresas e 3 consórcios. Houve ainda 379 paralisações temporárias, por greves ou protestos, motivadas, na maioria dos casos, por atrasos no pagamento de salários e benefícios, decorrentes das dificuldades de caixa das empresas, que afetaram 107 sistemas de transporte público de todo o país. O estrangulamento financeiro do setor gerou também uma redução de 92.581 postos de trabalho, queda de 22,7% no nível de emprego direto existente no setor em dezembro de 2019, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
O impacto da pandemia pode ser medido pela redução do número de empresas ativas associadas à NTU, que caiu de 463 associadas, em fevereiro de 2020, para 406, atualmente, um encolhimento de 12,4%. “Se aplicarmos esse percentual ao conjunto de empresas de ônibus existentes em todo o Brasil, calculado em torno de 1.800 operadoras, a maioria de pequeno e médio porte, podemos estimar que pelo menos 223 empresas podem ter sido obrigadas a encerrar suas atividades nos últimos dois anos”, afirma Francisco Christovam, presidente da NTU.