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Foto: Reprodução / Sindipetro NF
A Petrobrás está receitando o vermífugo Ivermectina para tratamento da Covid-19 aos empregados, segundo comprova receita fornecida a trabalhadores da empresa contaminados ou com suspeita de contaminação. A denúncia é do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense para quem a empresa continua ignorando o avança da contaminação. Em apenas dois meses e dez dias, mais que dobrou o número de trabalhadores mortos pela doença.
Segundo Boletim de Monitoramento Covid-19, divulgado ontem pelo Ministério de Minas e Energia, são 45 óbitos registrados nesta semana, uma alta de 125% em relação às 20 mortes apuradas na primeira semana de abril. Também aumentou o número de petroleiros infectados pelo coronavírus. Os 7.205 contaminados na Petrobrás desde o início da pandemia, até o momento, já representam 15,5% do total de empregados efetivos da companhia (46.416). Isso significa que do primeiro boletim do MME deste ano -divulgado em 4 de janeiro -, até o mais recente, de 14 de junho), o número de casos de contaminação entre contratados da Petrobrás aumentou 78,9%. Do total de vítimas da doença, 6.949 foram recuperados, 216 confirmados em quarentena e 40 estão hospitalizados.
A Petrobrás não detalha os números por unidade de produção. Tampouco contabiliza os trabalhadores terceirizados, que convivem com empregados contratados em unidades operacionais. Porém, estatísticas da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) permitem constatar que a grande parte dos infectados são trabalhadores de unidades de exploração e produção (E&P).
O Painel Dinâmico de Casos de Covid, da ANP, registra, no acumulado de março de 2020 a 10 de junho de 2021, total de 5921 infectados confirmados, sendo 70% deles (4.232 casos) trabalhadores que acessaram as plataformas de petróleo. Os dados da ANP não incluem apenas a Petrobrás, mas também as demais petroleiras que atuam em unidades marítimas no país. “No entanto, 83% das unidades de exploração e produção offshore no Brasil são próprias da Petrobrás ou afretadas por ela”, observa o diretor de Saúde e Meio Ambiente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Alexandre Oliveira.
O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, ressalta que “os números da Petrobrás são subestimados, principalmente porque não registram terceirizados. A FUP já tem notícias de mais de 80 mortes por Covid na empresa”.
Para Bacelar, os números crescentes e assustadores de mortos e contaminados refletem o descaso da gestão da empresa com a saúde do trabalhador e a ineficiência da política de prevenção à Covid-19 nas instalações da Petrobrás. Ele lembra que a FUP e sindicatos filiados apresentaram, desde 2020, um conjunto de procedimentos a serem seguidos pela empresa para redução dos riscos descontaminação. Entre eles estão a manutenção de embarque de, no máximo, 14 dias; garantia de testagem para Covid-19 na metade do período do embarque (atualmente, o teste é feito apenas no início do embarque), adoção de máscaras de proteção de qualidade para todos os trabalhadores. As recomendações foram avalizadas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Fiocruz. Ainda assim, a Petrobrás insiste em descumpri-las.