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Por: Cleber Lopes/Jornalismo Litoral
A Saúde na região está à beira do colapso. Os Hospitais Roberto Chabo, em Araruama e HC Lagos, em Bacaxá, em meio a pandemia do novo coronavírus, não tem sedativos para manter pacientes em estado grave, inclusive grávidas, vítimas de coronavírus, nos respiradores. Trabalhadores da Saúde das duas unidades, administradas pela OS Cruz Vermelha, que estão na linha de frente do combate ao COVID-19, contam que estão sem receber salários há dois meses e revelam, com exclusividade, que tem presenciado cenas terríveis provocadas pela falta de medicamentos nos dois Hospitais.
Os profissionais da saúde alertam que a situação é dramática e avisam que a suspensão dos serviços vai paralisar todo o pronto-atendimento da região. O Hospital Regional de Araruama é referência no atendimento a pacientes vítimas de poli traumatismo.
Médicos que atuam no Centro de Tratamento Intensivo do HCLagos, em Bacaxá, destinado a grávidas de alto risco infectadas pelo COVID-19 estão sendo obrigados, segundo relatou um dos profissionais, a “fazer mágica” para salvar vidas.
Uma médica que pediu anonimato por temer represália, revelou a “mágica”. Segundo ela, os médicos dentro das UTIs estão sendo obrigados a usar opioides, medicação que ela classifica de “menos adequada” para manter pacientes graves sedados nos respiradores. O uso de opioides, de acordo com a médica, dificulta o desmame e a recuperação respiratória dos pacientes.
“Fui exposta diversas vezes para salvar vidas, algumas eu consegui e outras, infelizmente, não. Muitos falam da nossa importância, e batalham pela nossa valorização, nos colocando como “heróis”, mas a verdade é que somos humanos, temos famílias e também precisamos de salário para nosso sustento. E é com muito pesar que quero informar a angústia de todos os profissionais de saúde frente ao hospital estadual Roberto Chabo, em Araruama, referência em trauma, que absorve os pacientes da Região dos Lagos: não estamos sendo nada valorizados, estamos há dois meses sem receber, sem contar as condições de trabalho, sem medicamento, como sedação – que é um dos medicamentos mais importante dentro do setor de terapia intensiva. Estamos desgastados e indignados com esse (des)governo. Queria expor essa angústia e que, por favor, a mídia nos ajudasse a dar destaque a essa situação”, desabafa a profissional de saúde.
O Hospital Regional não tem mais condições de receber pacientes com COVID-19 por falta de medicamentos para tratamento da doença. A unidade, que atende a nove municípios, pode suspender a qualquer momento o atendimento a vítimas de traumatismo craniano, trauma de tórax e baleados.
A unidade tem nove pacientes na UTI, três na sala de traumas e dois com coronavírus. O Hospital não tem medicamentos nem sedativos para pacientes graves, médicos, enfermeiros e técnicos, sem salários há dois meses, estão vivendo um drama na tentativa de salvar vidas.
O jornalismo da Litoral FM, devido à gravidade das denúncias e o risco de colapso na saúde pública da região encaminhou todos os áudios ao procurador do Ministério Público Federal, Leandro Mitidieri. O procurador, ouviu as gravações e informou que o material foi recebido como representação.
Ouça o relato impressionante e preocupante sobre a crise nos Hospitais Roberto Chabo e HC Lagos que colocam em risco a saúde na região. A voz foi alterada para preservar a identidade da pessoa. O jornalismo da Litoral informa que os áudios recebidos foram encaminhados ao procurador do Ministério Público Federal, Leandro Mitidieri. Ele ouviu as gravações e informou que recebeu os depoimentos gravados como uma representação.